24-02-16 - Cristãos que trocam muito de igreja agem como viciados

A prática de andar a visitar igrejas é relativamente comum no meio evangélico em várias partes do mundo. Existe até um termo para isso em inglês, “church hopping”.
Os seus adeptos não ficam muito tempo a frequentar o mesmo local de culto, nem se envolvem com a igreja local. Geralmente, quem faz isso são pessoas que buscam continuamente alguma experiência espiritual que apele às suas emoções.
Jeanie Miley é uma estudiosa que pesquisa e escreve sobre essa questão. Esposa do pastor da Igreja Batista de River Oaks, no Texas, ela possui experiência pessoal, tendo conhecido muitos que fazem isso. Para ela, esse comportamento poderia ser comparado ao de viciados. Essas pessoas buscam constantemente uma “sensação” da presença de Deus nas suas vidas.
Isso pode acontecer quando escutam sermões “emocionantes” dos pastores ou participam de um período de adoração particularmente agitado. Outros desejam ouvir preferencialmente sobre um assunto, como o final dos tempos. Há quem simplesmente queira “sentir o fogo”.
A estudiosa afirma que para esses cristãos, a igreja confunde-se com uma “emoção espiritual” que deve ser perseguida continuamente. “A nossa cultura parece estar atraída por aquilo que nos causa ‘arrepios’ ou nos ajuda a escapar da rotina”, disse. “Isso, de certa forma, alivia-nos de sensações como vazio, dor ou tédio.”
Os cristãos que se esforçam continuamente para estar em um local onde vivenciam esse “momento espiritual arrebatador”, precisam de ajuda, defende Miley. “Se a religiosidade passa a ser vivenciada como um vício, pode deixar as pessoas fora de si”, assevera.




