04-03-16 - Rolling Stones invocam satanás em espetáculos no Brasil

“Por favor, deixe que eu me apresente. Sou um homem de fortuna e requinte. Estou por aí já faz muitos anos. Roubei as almas e a fé de muitos homens. Estava por perto quando Jesus Cristo teve o seu momento de dúvida e dor. Fiz a questão de garantir que Pilatos lavasse as suas mãos e selasse o seu destino. Prazer em conhecê-lo. Espero que adivinhe o meu nome”.
Assim começa a música Sympathy For The Devil [Simpatia pelo Diabo]. Ela faz parte da apresentação da banda inglesa Rolling Stones (na foto) na sua turné pelo Brasil.
No palco, o vocalista Mick Jagger aparece com uma capa que remete ao famosa satanista Anthony Lavey. Nos ecrans, pentagramas e cruzes invertidas, imagens do diabo em luzes vermelhas brilhantes. O público aplaude e canta conjuntamente.
Tem sido assim durante a turnê “Olé”, que percorre a América Latina com grande sucesso. Os ingressos esgotaram meses antes das apresentações. A excursão começou no Chile, dia 3 de fevereiro. Passou pela Argentina, Uruguai e teve o seu último espetáculo no Brasil no dia 2 de março, em Porto Alegre.
Após levar multidões ao Maracanã no Rio e ao Morumbi, em São Paulo, a banda inglesa pode ter sido sua despedida. Há rumores que, por causa da idade dos membros, essa seria a última turné mundial.
Elogiada pela imprensa, os espetáculos no Brasil tiverem um momento polémico. Vídeos publicados nas redes sociais mostram que muitas pessoas estavam descontentes com o que consideram “invocação do diabo”. Parece ter sido uma surpresa apenas para os fãs mais jovens.
Quem acompanha a trajetória dos Rolling Stones, sabe que isso não é novidade. A música Simpathy for the Devil faz parte do disco Beggar’s Banquet, lançado em 1968. As capas de outros álbuns antigos da banda como Their Satanic Majesties Request [O pedido de sua majestade satânica], de 1967, e Goats Head Soup [Sopa Cabeça de bode] de 1973 já mostravam sua ligação com o ocultismo e a adoração ao diabo.
O assunto foi abordado pelo jornalista e escritor inglês Philip Norman na biografia não autorizada de Mick Jagger, lançada em 2012. Segundo o autor, após Jagger ler o livro “O Mestre e a Margarida”, do russo Mikhail Bulgákov, compôs a música Sympathy for the Devil, que foi um sucesso imediato.
No seu livro ocultista, Bulgákov defende que o grande triunfo de Satanás foi colocar Pôncio Pilatos no caminho de Jesus, recusando a salvá-lo da cruz.
Portanto, as imagens do espetáculo e o histórico da música não deixam dúvida que, mais que uma canção, o que ocorreu nos espetáculos da banda é uma invocação. Tem sido assim desde o início da banda.




