15-05-16 - Coreia do Norte reconhece oração como “arma poderosa”

A Coreia do Norte vive um regime de governo único, impondo ao mesmo tempo um comunismo ateu e um culto à personalidade que faz dos seus presidentes verdadeiros “deuses”.
Kenneth Bae, o missionário cristão que foi condenado a quinze anos de trabalhos forçados, contou à imprensa como a sua fé foi considerada uma “ameaça” para o governo.
Com cidadania americana, ele acabou por ser “perdoado” pelo ditador Kim Jong-Un 735 dias depois da sua prisão. Foram dois anos num campo de trabalhos forçados mantido pelo governo, até que negociações diplomáticas permitiram a sua libertação.
Nascido na Coreia do Sul, Bae acabou por se mudar para os EUA e se naturalizar americano. Ele realizava, sob o disfarce de empresa turística, seguidas viagens à Coreia do Norte com o objetivo de evangelizar. A prática é proibida, mas ele nunca teve maiores problemas, já que falava a língua e conhecia a cultura.
Durante uma dessas viagens missionárias, em 2012, ele foi preso, acusado de espionagem e conspiração. Os promotores disseram-me: ‘Você tentou derrubar o governo com as suas orações e adoração’, conta. “Eles realmente veem a oração como uma arma”, explicou Kenneth à rede CBS, uma das maiores emissoras de TV do mundo.
Relata ainda que ouviu dos seus acusadores que ele era “o pior criminoso e o mais perigoso que haviam prendido no país desde a Guerra da Coreia”. Ao questionar porque era considerado assim, a resposta o surpreendeu: “Porque não veio apenas fazer o trabalho missionário sozinho, ainda convidou outras pessoas para participarem”.
Ele está a lançar o livro “Not Forgotten” [Não fui esquecido], onde conta como foi a sua experiência. “Eu trabalhava das 8hs da manhã até as 6 da tarde, seis dias por semana. Era basicamente trabalho agrícola e também carregava pedra e carvão”, lembra. “Todas essas coisas eram fisicamente desgastantes e muito difíceis”, desabafa, revelando que perdeu mais de 10 quilos e ficou muito doente.
O título do seu livro de memórias é baseado nas ameaças que recebia semanalmente. Um representante do governo fazia questão de lembrá-lo que ele estava condenado a realizar trabalhos forçados durante 15 anos e todo mundo se esqueceria dele, inclusive a família. Ele é casado e pai de três filhos.
Bae explica que ele não se deixava abater, pois continuou a orar, crendo que Deus cuidaria dele a cada dia. Embora não tivesse uma Bíblia em mãos, repetia para si mesmo versículos que sabia de cor.
Sempre que teve oportunidade, testemunhou da sua fé em Cristo aos outros presos. Explica que conheceu pessoas que nunca tinham ouvido o nome de Jesus. “Eu vi isso mais como uma bênção do que uma maldição ou sofrimento”, comemora.
“Eu não estava lá como um prisioneiro, mas via-me como um embaixador de Deus, alguém que foi enviado por Deus para fazer a Sua obra”, ressalta. Ele pede que aos cristãos de todo o mundo que orem pelos norte-coreanos. Afinal, até mesmo os ateus daquele país reconhecem que a oração é uma “arma poderosa”. A Coreia do Norte é o número um em perseguição aos cristãos no mundo.
- in Gospel Herald e CBS News




