24-06-16 - Cristão adota mais de 100 crianças que seriam abortadas

Em 2001, quando a esposa do vietnamita Tong Phuoc Phuc estava grávida, ela teve muitas complicações e um parto difícil. Enquanto visitava a esposa que se recuperava no hospital, Phuc percebeu que muitas mulheres entravam grávidas numa sala de parto, mas saiam sem nenhuma criança ao colo.
Quando viu os médicos colocarem fetos no lixo, entendeu o que estava a acontecer. Tocado, pediu para levar os corpos das crianças. Usando as poucas economias que juntara no seu trabalho como pedreiro, comprou um pequeno terreno para poder enterrar aqueles bebés.
A esposa pensou que ele tivesse enlouquecido, mas ele continuou a fazer o que achava correto. No local estão enterrados mais de 11.000 fetos abortados. Algumas mães começaram a ir ao cemitério improvisado fazer orações pelos filhos que abortaram, conforme a tradição religiosa local. A sua fama espalhou-se e grávidas que pensavam em abortar começaram a pedir-lhe ajuda.
Phuc é parte da minoria cristã, num Vietname onde mais de 85% da população se identifica com o budismo. Por acreditarem na reencarnação, muitas mães não se sentem culpadas. Preocupado com as gestantes que vinham até ele, decidiu usar a própria casa para que elas tivessem onde ficar. Também se ofereceu para assumir os bebés indesejados. Acabou por adotar mais de cem crianças que seriam abortadas. Com o tempo, conseguiu convencer 27 delas a voltar para buscar os filhos. Outras 35 mulheres ficaram morando numa casa que ele construiu especialmente para isso, até conseguirem condições melhores de vida.
Tradição na escolha dos nomes
Desde que começou o processo de adoção, todos os meninos recebem o nome de Vihn (honra), e as meninas são chamadas de Tam (coração). O segundo nome é sempre da progenitora, ou a cidade de origem dela, para facilitar a identificação caso a mãe volte para o recuperar. Para deixar claro que considera todos como seus filhos, o último nome de todos é Phuc, parte da sua grande família.
Ele continua a gastar a maior parte do seu salário no sustento das crianças e também recebe doações. Já foi elogiado pelo presidente do Vietname, mas não recebe verbas do governo. O seu trabalho possui uma página no Facebook que mostra como ele ficou conhecido em várias partes do mundo.
“Essas crianças agora têm um lar seguro. Estou disposto a ajudar e a ensiná-las a serem boas pessoas”, explica. Embora a sua vida não seja fácil, o pedreiro de 50 anos não pensa em parar de adotar bebés nesta situação. “Continuarei a fazer esse trabalho até o meu último suspiro de vida, e encorajo os meus filhos a continuarem a ajudar outras pessoas desprivilegiadas”, enfatiza.
- In Thanhnien




