24-10-16 - Música cristã é proibida em transporte escolar após processo de ateus

Que tipo de mal músicas cristãs podem causar a alunos do ensino fundamental de uma escola pública? Segundo a organização ateia Freedom From Religion Foundation (FFRF), trata-se de um “abuso” e viola o princípio de laicidade do Estado.
O Distrito Escolar de Siloam Springs, no Arkansas, Estados Unidos, proibiu os motoristas de autocarros escolares sintonizarem rádios cristãs enquanto transportam crianças. A decisão foi tomada pelo superintendente Ken Ramey após o pai de um aluno fazer uma queixa formal.
Informada do facto, a FFRF pressionou o Distrito, citando decisões do Supremo Tribunal que enfatizam a separação da educação pública da religião. Desde a década de 1960, por exemplo, professores não podem fazer orações dentro de sala de aula. Agora os ateus conseguiram que qualquer programação religiosa seja banida do transporte escolar.
“Entendemos que os alunos estão numa situação onde não têm opção e isso viola a cláusula legal que estabelece a neutralidade em relação a manifestação religiosa”, afirmou Ramey em comunicado. “Identificámos isso como um incidente verificável que pode ser corrigido.”
O superintendente afirmou que o motorista foi informado e não sofrerá punição. Ramey afirmou entender que o homem era um cristão e ouvir esse tipo de música reflete “quem ele é”. Contudo, todos os motoristas do Distrito Escolar estão agora proibidos de promover os seus valores religiosos durante o horário de serviço.
Batalha jurídica
Jerry Johnson, presidente da Associação Nacional de Rádios Religiosas criticou as afirmações da FFRF de que ouvir música cristã num autocarro escolar viola a Constituição. “Nem as crianças deixam as suas crenças na porta da escola nem os motoristas de autocarros cristãos,” desabafou.
Acrescentou ainda que estuda algum tipo de ação jurídica. “A disseminação inegável dessas limitações é algo que causa crescente preocupação numa nação fundada sobre princípio de liberdade de expressão e liberdade religiosa”, sublinhou.
Johnson questionou ainda que tipo de valores a maioria das músicas que tocam nas rádios seculares promovem. Para ele, é perfeitamente possível alegar que essas mensagens também estão a ser impostas sobre crianças que talvez não tenham idade suficiente para entender todas as referências a sexo livre e uso de bebidas alcoólicas ou drogas, por exemplo.
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