26-10-16 - Perseguição aos Cristãos chineses intensifica-se

O presidente da China, Xi Jinping, prepara-se para lançar uma nova onda de repressão aos cristãos em todo o país. O governo exige que todas as religiões se tornem “chinesas”, e fez novas leis tentando obrigar todos os crentes a ficarem sob o controlo do partido.
Contudo, os cristãos recusaram-se a prometer lealdade ao Partido Comunista. Pequim justifica que a legislação visa garantir a segurança do Estado e combater o terrorismo. Por isso, proíbe cidadãos de “participar de treinamentos religiosos e conferências, dentro e fora do país, pregar e organizar atividades religiosas, estabelecer instituições religiosas ou locais de culto em escolas”, além de coibir “divulgação religiosa através da Internet.”
As autoridades chinesas viram sempre o cristianismo como uma “ferramenta ocidental para se infiltrar na China”. Alegam que impõem restrições para “lutar contra a influência de potências estrangeiras”. O seu desejo é que todos os membros das igrejas domésticas e os seus líderes submetam-se ao partido comunista, prometendo lealdade aos seus ideais.
Contudo, a maioria deles já se manifestou contrário. “Jesus Cristo é a minha única crença. A minha lealdade é somente a Jesus Cristo”, enfatizou o pastor Wang Zeqing, que lidera uma igreja doméstica de 50 membros.
“Deus diz que devemos amar os nossos inimigos. Se eles têm fome devemos dar-lhes comida e quando estão com sede dar-lhes água para beber, por isso vamos orar pelos incrédulos. Deixemos que o espírito de Jesus os toque e os conquiste”, ensina o experiente líder, que já foi preso antes por causa da sua fé.
Zeqing acredita que as novas leis serão o maior desafio da sua congregação, mas que a fé deles não irá vacilar. “Uma pessoa que realmente acredita em Jesus Cristo não perde a sua fé nem se torna fraco porque as coisas estão a mudar”, asseverou.
Já o pastor Xu Yong Hai, continua otimista, lembrando que o Partido Comunista tentou destruir a igreja outras vezes, mas falhou sempre. “Não vamos parar, vamos ser fortes”, ressalta, pois para ele as novas leis só irão reforçar a fé dos crentes em todo o país.
Perseguição oficial
A perseguição contra os cristãos na China ficou sete vezes maior na última década.
De acordo com o último relatório da missão China Aid, desde 2008 é possível ver um aumento constante nos casos de prisões de líderes, encerramento e demolições de templos.
De facto, as comunidades religiosas na China vivem o mais intenso ano de perseguição desde a Revolução Cultural (1966-1976), quando o país passou a adotar o sistema comunista.
Além de ter proibido o trabalho missionário estrangeiro, recusa-se reconhecer qualquer ordenação por entidades religiosas estrangeiras. Todos os grupos religiosos não registados foram declarados “ilegais”.
Muitos pastores continuam a ser presos. Mesmo assim o cristianismo continua a crescer. Oficialmente, existem hoje cerca de 100 milhões de cristãos no país mais populoso do mundo. Estudiosos acreditam que o número pode ser 3 vezes maior.
Ao mesmo tempo, os membros do Partido Comunista Chinês totalizam 86,7 milhões, sendo que a maioria é comunista só de nome. Isso incomoda o governo, que teme o enfraquecimento do seu poder, o que motivou a tentativa de exigir a fidelidade aos princípios comunistas.
- in Gospel Herald




