22-11-16 - Cristãos enviam Bíblias e folhetos para a Coreia do Norte através de balões

Na Coreia do Sul, existem cerca de 50 “guerreiros baloeiros”, pessoas que enviam pelo ar todo o tipo de informação atravessando a fronteira para que os cidadãos da Coreia do Norte possam saber que existe outro tipo de vida. No país mais isolado do mundo não há Internet livre e os órgãos de comunicação social são totalmente controlados pelo governo.
A maioria desses baloeiros são desertores da Coreia do Norte, que sonham em ver a liberdade de volta ao país onde nasceram. O mais antigo deles é Lee Min-Bok, com 59 anos de idade, que começou a soltar grandes balões em 2005. Embora não tenha inventado o método, a sua dedicação acabou por gerar uma “onda”, sendo seguido por muitos outros. Ele hoje lança entre 700 e 1.500 balões por ano, sendo que cada um transporta entre 30 a 60 mil folhetos.
Lee é crente e foi destaque de uma notícia do New York Times (EUA). Além de panfletos com mensagens evangelísticas e Bíblias ele envia aparelhos de rádio, notas de um dólar, pendrives e comida. O seu objetivo é desacreditar o culto à personalidade que cerca Kim Jong-un, o jovem ditador da Coreia do Norte, que herdou o posto do seu pai.
Os balões de Lee voam entre 3.000 e 5.000 metros acima do nível do mar, passando pela fronteira mais fortemente guardada do mundo, sem dar hipóteses que os soldados norte-coreanos consigam abatê-los. Depois aciona os “timers”, que soltam os fardos. Os folhetos espalham-se pelos céus da Coreia do Norte, onde a população sabe muito pouco do que se passa no mundo.
Uma vez que eles só conhecem a versão do governo norte-coreano sobre os factos, são proibidos de praticar livremente qualquer religião. O regime comunista impõe que todos sejam ateus. Há diversos registos de cristãos que são colocados à força em campos de trabalho forçado por causa da sua fé.
O baloeiro acredita na eficácia do seu trabalho pois a sua própria vida foi mudada por um folheto. Ele trabalhava como biólogo de um instituto de pesquisa agrícola estatal em 1990 quando achou o material deixado por um balão vindo da Coreia do Sul. Curioso por saber se as informações estavam corretas, começou a fazer perguntas sobre o regime comunista.
Isso irritou as autoridades, ele foi preso e torturado. Conseguiu escapar da cadeia em 1991 e fugiu para a China. Tempos depois foi para a Rússia, onde ouviu o Evangelho e se converteu.
Chegou à Coreia do Sul em 1995. Uma vez aqui, tornou-se missionário em tempo integral. Hoje lidera a Aliança de Cristãos Norte Coreanos, que se dedica a denunciar ao mundo a perseguição aos cristãos no país e a usar balões para divulgar o Evangelho.

Ação de evangelização já foi chamada de “ato de guerra”
Lee Min-Bok mantém o seu ministério com ofertas vindas de igreja de vários países. Questionado sobre a eficácia, ele disse que “os folhetos são mais baratos e mais seguros. Não há guardas de fronteira, radar ou interferência no sinal de rádio que possa detê-los.”
A realização desta atividade não é tarefa simples. A sua casa é constituída por dois contentores de carga, e monitorizada por 12 câmaras de vigilância da polícia. Os cães latem a qualquer estranho que se aproxime sem avisar. Detetives à paisana acompanham-no para onde quer que ele vá, visando protegê-lo de possíveis assassinos enviados da Coreia do Norte.
Ele já foi ameaçado abertamente pelo governo comunista. Pyongyang já classificou a atividade dos baloeiros de “ato de guerra”. Isso não amedronta o evangelista. Sempre que o vento é favorável, soprando para o norte, Lee sai com o seu camião de 5 toneladas, transportando um enorme tanque de hidrogénio até à fronteira, a uma hora de distância. Chegando ali, ele e voluntários enchem com gás dezenas de balões de 7 e 12 metros em forma de barril, soltando-os no ar.
Não existe um estudo confiável sobre quantos norte-coreanos leram os folhetos ou como reagem. Contudo, há testemunhos de desertores que fugiram do país após lerem os folhetos ou ouvirem as transmissões externas nos rádios enviados.
- in Gospel Prime




