12-12-16 - Ver esta criação lá fora e não acreditar em Deus parecia-lhe impossível

John Glenn, o primeiro norte-americano a orbitar em torno da Terra, tornou-se símbolo de patriotismo e perseverança. O último sobrevivente dos pioneiros da era do espaço morreu esta quinta-feira. A história dele é uma lenda.
Zero gravidade e sinto-me bem. Oh, esta vista é fantástica”, declarou um John Glenn maravilhado com visões como a que teve a sobrevoar a Austrália, reparando que os habitantes da cidade de Perth tinham acendido todas as luzes como forma de o saudar. O voo era perigoso – era a primeira vez que um astronauta norte-americano percorria a órbita terrestre, numa altura em que havia dúvidas sobre a forma como o sistema respiratório humano reagiria ao espaço ou sobre se os astronautas conseguiriam alimentar-se durante as missões. Mas Glenn, como sempre, mostrava os seus nervos de aço.
Foi preciso manter a calma quando a cápsula emitiu um falso alarme que significaria um erro no sistema de proteção do calor, essencial para a aterragem segura do astronauta. E foi preciso muito sangue frio quando finalmente foi parar ao Oceano Atlântico, sendo resgatado pela Marinha 21 minutos depois, e voltou finalmente a pisar terreno norte-americano, desta vez como símbolo nacional de garra, patriotismo e uma esperança necessária em tempos de provação – e esta sexta-feira, com a notícia da sua morte, é assim que volta a ser lembrado.
O patriotismo de Glenn foi característica sua desde a infância, uma infância passada na pequena cidade de New Concord, no Ohio, com pouco mais de mil habitantes e uns pais que o educaram com um rígido código moral e uns princípios religiosos muito presentes. “Era um lugar pequeno, mas tinha um sentimento muito patriótico e desfiles em todos os feriados nacionais. Querer fazer algo pelo país era natural, crescendo num lugar como New Concord”, recordaria Glenn, citado pelo “New York Times”.
Foi nessas condições que Glenn, nascido em 1921, cresceu e se envolveu em diversas atividades da sua comunidade, participando no coro da Igreja, tocando trompete e praticando desportos como o futebol, o basquetebol e o ténis na escola secundária hoje batizada com o seu nome. Na mesma altura em que lavava carros para ganhar o seu dinheiro e trabalhava como nadador-salvador durante o verão, Glenn conhecia a sua namorada adolescente Anna Margaret Castor, com quem acabaria por casar – um casamento que durou 73 anos, durante os quais a apelidou de “o verdadeiro pilar da família”.
“Ver esta criação lá fora e não acreditar em Deus parece-me impossível”, disse na altura, num lançamento a que assistiram 250 mil americanos, incluindo o presidente Bill Clinton, de quem era apoiante entusiasta, e o ator Leonardo Dicaprio.
Glenn, um dia disse: “Se usarmos bem os nossos talentos, viveremos o tipo de vida que devemos viver”. E acrescentou: “Estamos mais realizados quando nos envolvemos em algo maior do que nós próprios”..
- in Expresso




