06-04-17 - Igreja norte-coreana cresce, apesar de execução dos fiéis

Estima-se que possam haver até 500 mil norte-coreanos praticando o cristianismo de maneira secreta. Atividades religiosas na Coreia do Norte podem ser puníveis com a morte, enquanto o regime de Kim Jong-un continua a perseguir e a matar quem se opõe ao comunismo.
Jeong Peter denuncia as flagrantes violações dos direitos humanos em solo norte-coreano num livreto intitulado “As Realidades da Opressão Religiosa na Coreia do Norte”.
Salientando que estatísticas sobre o número de cristãos são sempre difíceis, uma vez que o governo reprime todas as manifestações religiosas. Entre as estatísticas usadas por ele estão a da Portas Abertas, que estima o número entre 200.000 e 400.000; enquanto a Voz dos Mártires diz que são 500.000. Já o Comité para os Direitos Humanos na Coreia do Norte acredita em 300.000.
Jeong é presidente da ONG Justiça para a Coreia do Norte. Ele mora atualmente na Coreia do Sul e faz um trabalho de ajuda humanitária focado naqueles que conseguem escapar do regime ditatorial.
O objetivo de Jeong ao escrever o livreto é reunir depoimentos de desertores norte-coreanos e os relatórios da ONU sobre as violações de direitos humanos naquele país.
“As atuais atividades cristãs secretas são limitadas a grupos de duas ou três pessoas lendo a Bíblia, orando e cantando hinos”, disse ele.
Um encontro com muita gente ou uma pregação pública é impossível, e aqueles que são encontrados envolvidos nesse tipo de atividades certamente serão executados ou, na melhor das hipóteses, enviados para campos de prisioneiros políticos, similares a campos de concentração nazis.
No livreto, Jeong Peter lembra o caso de Son Jong-nam, um cientista de foguetes que foi condenado à morte por ter se envolvido com grupos cristãos na China e realizar atividades de proselitismo quando voltou para a Coreia do Norte, em 2006.
Conta também sobre cerca de 40 moradores da província de Pyongan e 43 cristãos secretos nas províncias de Hamkyong e Ryanggang que foram executados publicamente em 2010 e 2011, respectivamente.
Jeong acrescenta que publicou o material tanto para dar testemunho do sofrimento no país mais fechado do mundo quanto para oferecer provas que ajudem a levar o líder norte-coreano Kim a um tribunal internacional.
Apesar da intensa perseguição, ele diz haver evidências que a Igreja continua a crescer. Jeong encerra dizendo que o governo norte-coreano está a tentar extinguir todas as atividades religiosas, classificando-as de “ópio que paralisa a consciência revolucionária”.
- Korea Herald




