I Tessalonicenses 2:17—3:13 (1)
Capítulo III UMA IGREJA PERSEGUIDA E UM APÓSTOLO ANSIOSO
PAULO PRIVADO DOS SEUS AMADOS
"Nós, porém, irmãos, sendo privados de vós, por um momento de tempo, de vista, mas não do coração, tanto mais procuramos com grande desejo, ver o vosso rosto.
“Pelo que bem quisemos uma e outra vez ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanás no-lo impediu.
“Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda?
“Na verdade vós sois a nossa glória e gozo."
A oposição que o Apóstolo estava agora a passar em Corinto não tinha diminuído a sua ansiedade em relação aos irmãos de Tessalónica. Os últimos meses tinham sido um período de intensa perseguição para ele e para aqueles que deixou para trás - cidade após cidade. Em Filipos ele e Silas tinham sido cruelmente açoitados e encarcerados e depois mandados sair da cidade, deixando para trás uma igreja recentemente fundada a quem não foi sequer permitido encorajar com a sua presença. Em Tessalónica, onde foram em seguida, muitos foram convertidos a Cristo, mas a oposição contra Paulo foi tão severa que ele e Silas quase não escaparam vivos, deixando para trás ainda outra igreja perseguida. Chegando a Bereia, novamente muitos foram ganhos para Cristo, mas os judeus incrédulos de Tessalónica tinham seguido Paulo, agitando e pondo em alvoroço aquela cidade, de modo que mais uma vez quase não conseguiu escapar com vida. Entretanto, desta vez deixou Silas e Timóteo para trás a fim de encorajarem os irmãos nesta terceira igreja perseguida.
As palavras "sendo privados" em 2:17, enfatizam o facto de que ele não queria deixá-los. Os irmãos enviaram-no embora apressadamente (At.17:10), reconhecendo que, se ele fosse morto, a causa de Cristo perderia o seu líder mais importante.
Mas o seu coração ainda estava com eles, e muito, porque "tanto mais procuramos com grande desejo, ver o vosso rosto" (2:17); ele esforçou-se muito para estar com eles outra vez, mas todas as vezes que tentou, Satanás impediu (2:18). Como ele tinha sido "privado" deles, também foi impedido de voltar a eles devido à oposição, amarga, severa e implacável de Satanás.
Foi em Atenas que ele e a sua mensagem foram ridicularizados desde o começo, embora evidentemente não perseguidos, de modo que, providencialmente, pôde mandar Timóteo de volta a Tessalónica para ajudar e encorajar os santos ali.1
Achamos que esta mudança de eventos foi providencial, porque duas vezes o Apóstolo diz, em relação à sua preocupação com os crentes em Tessalónica, que não podia "esperar (Grego: suportar, sofrer) mais" (3:1-5).2
Entretanto, o fato de Satanás ter impedido que Paulo voltasse a Tessalónica, de jeito algum indica que Satanás tenha poder igual ou maior que Deus, porque isso também foi providencial. Evidentemente era a vontade de Deus que Paulo não voltasse ali, para que os santos tivessem um maior fortalecimento, porque a perseguição intensa deles fortaleceu de facto a sua fé (II Ts.1:3-4). Deus sabia melhor do que Paulo o que fortaleceria espiritualmente os Tessalonicenses. Devemo-nos lembrar disto quando Deus permitir que Satanás nos esbofeteie. (Veja Rm.5:3-5).
1 1 Evidentemente Timóteo já tinha alcançado Paulo novamente. Veja At.17:14-15, cf. I Ts.3:1,5. (Observe que o verbo no v.1 é na primeira pessoa do plural "nós", e no v.5 é na primeira pessoa do singular "eu".)
2 Nota do tradutor: Observe como o Apóstolo se expressa nesta passagem. As palavras esperar (Grego: sofrer - v.1), confortar (Grego: estabelecer - v.2), comova - v.3, afligidos - v.4 e esperar novamente (Grego: sofrer - v.5) transmitem o sentimento de que ele estava ansioso a respeito dos Tessalonicenses.
Cornelius R. Stam
Comentário Sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses



