Os Dons Sinais Sobrenaturais do Período dos Actos - Segues na direcção correcta? (IV)

Os dons sinais do período dos Actos
“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. … Ora há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1 Cor. 12:1,4).
É importante diferenciar entre os dons sinais temporários do período dos Actos e os que são classificados como dons espirituais permanentes. Deve ser aqui recordado que há ocasiões em que também temos de manejar bem as epístolas de Paulo. Apesar do apóstolo discursar sobre ambos os grupos de dons nas suas epístolas, só os dons espirituais permanentes permanecem hoje em vigor. Estes dons compreendem o ministério, o ensino, o aconselhamento, ajudas, governos, administrações, etc.
Os dons sinais sobrenaturais temporários, tais como sabedoria, conhecimento, fé, cura, milagres, profetizar, discernir espíritos, línguas, e interpretação de línguas, cessaram com o encerramento do período transicional. Assim, quando Paulo declara aos Coríntios: “Acerca dos dons espirituais [Gr. Pneumatika, espirituais], não quero, irmãos, que sejais ignorantes”, ele tem primariamente em mente a correcção dos mal-entendidos e abusos dos dons sinais miraculosos.
Por exemplo, um determinado número de Coríntios vociferavam no exercício do seu uso de línguas – todos ao mesmo tempo – sem a presença de um intérprete. Havia tanta confusão com a prática que Paulo extraiu a ilação de que os indoutos e descrentes presentes pensariam que eles se teriam passado (I Cor. 14:23). A fim de resolver o problema, o apóstolo instruiu-os do seguinte modo: Só dois ou três deveriam exercitar o dom de línguas durante o decorrer de uma dada reunião. Além disso, para que tudo fosse feito de forma ordenada, apenas falaria um de cada vez, e somente se houvesse intérprete. Se não houvesse um intérprete presente deveriam ficar em silêncio (1 Cor. 14:27,28).
Segundo o Evangelho de Paulo, havia um propósito duplo para os dons sinais durante a parte inicial desta dispensação. Em primeiro lugar e acima de tudo, eram um sinal para Israel de que Deus estava a fazer algo novo e diferente entre os Gentios (Rom. 11:11; 15:20 cf. 1 Cor. 14:21,22). Deus falou sempre à Sua nação escolhida através de sinais e maravilhas. Além disso a nação esperava-os da mão de Deus (Juízes 6:12-18 cf. Isa. 8:18). Em segundo lugar, estas manifestações miraculosas atraíam a atenção para esta nova criação chamada a Igreja, o Corpo de Cristo. Estes dons sobrenaturais deram quase credibilidade instantânea ao apostolado de Paulo e aos outros membros do Corpo de Cristo que realizavam estas maravilhas (Actos 19:11-20; 28:1-10; I Cor. 14:25). Certamente que, uma vez cumprido este propósito duplo, pela graça de Deus, estas manifestações miraculosas deram lugar às três graças exaltadas. Será dito mais sobre isto posteriormente.
Durante o período dos Actos, os dons sinais eram normalmente dispensados colectivamente pelo Espírito de Deus ( Actos 2:1-7; 4:28-35; 10:44-46). Estes dons sinais não eram resultado de pedidos de oração, nem eram dados com base na espiritualidade dos crentes. Pelo contrário, eram dados liberalmente, sem restrições, a todos os crentes de acordo com a soberana vontade de Deus ( 1 Cor. 12:4,7,11). Por conseguinte, eles recebiam poder para realizar estas maravilhas simplesmente porque esse era o modo de Deus operar naquele tempo.
A posse destes dons nada tinha a ver com a medida da sua fé ou desempenho. É claro que os crentes Coríntios estavam longe de ser espirituais; de facto, muitos deles viviam carnalmente. Apesar disso, foram-lhes dadas estas manifestações miraculosas e em alguns casos possuíam mesmo mais do que um dom sinal (I Cor. 12:31 cf. 14:23,24,26).



