Sete Vezes Um Fracasso (III)

C. R. Stam
 

A DISPENSAÇÃO DO GOVERNO HUMANO

     Devido à violência e ao derramamento de sangue que prevalecera então, Deus instituiu agora, com Noé, a Dispensação do Governo Humano. O cerne desta nova dispensação encontra-se na injunção divina:
 

     “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme à sua imagem” (Gén. 9.6).

     É esta a base de todo o código de justiça penal, pois se Deus colocou nas mãos dos homens a responsabilidade de punirem com a pena capital, certamente que Ele incluiu todas as penas menores.

     E uma vez mais, mal se acaba de ler o registo do Concerto Mosaico, tem-se logo a narrativa da bebedeira e vergonha de Noé.

     “E … Noé … plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda” (Gén. 9.20,21).

     Ali na sua tenda ele jaz bêbado e nu, de tal forma que Sem e Jafé tiveram de tomar uma capa para o cobrir.

     “O vinho é escarnecedor”, e a embriaguês é sempre propensa a fazer da sua vítima um louco, no entanto este caso reveste-se de mais significância que os demais, pois Noé foi o primeiro governador civil do mundo, e em Prov. 31.4 lemos:

     “Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes beber bebida forte”.

     O significado desta admoestação é claro. Os governadores não devem entregar-se a bebidas intoxicantes pois devem estar sempre sóbrios. Que os outros bebam se quiserem, não porém o rei, pois as suas responsabilidades são enormíssimas.

     É verdade que, nos dias de Noé, a comunidade era reduzida e pequena, mas se ele fosse incompetente para governar aqueles poucos, como poderia ele ser qualificado para governar um número maior de pessoas?

     O homem demonstrou assim a sua condição depravada e fracassou sob esta nova dispensação. O primeiro governador humano fez uma triste cena de si próprio por meio da embriaguês, exibindo assim a todos a sua incapacidade de governar responsavelmente sobre os seus semelhantes.

     Estranhamente, a humanidade como um todo foi afectada por outra espécie de intoxicação quando a dispensação do Governo Humano se movia para o seu fim. Tornou-se intoxicada com a sua própria importância e, não satisfeita com a protecção e o amor de Deus, seguiu Caim que, tendo sido afastado da presença do Senhor, foi o primeiro a edificar uma cidade.

     “E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos uma nome, para que não sejamos espalhados pela face de toda a terra” (Gén.11.4).

     O resultado do seu orgulho foi que o Senhor confundiu a sua língua e “espalhou-os dali sobre a face de toda a terra” (Ver. 8).

     É referindo-se a este período da história que o apóstolo declara: “Pelo que também Deus os entregou … Deus os abandonou … Deus os entregou …” (Rom. 1.24,26,28)

(Continua)

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