Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXIII)

crstam.jpgO SEGREDO DO EVANGELHO PROCLAMADO POR PAULO

     Se nas epístolas Paulinas há algo claro é o facto de que o segredo de todas as boas novas de Deus para o homem se centralizarem no Calvário. Era porque Cristo morreria pelo pecado que Deus podia proclamar boas novas a pecadores, quer essas boas novas dissessem respeito à introdução do reino milenar, à bênção das nações por meio da semente de Abraão ou à derrota final de Satanás.

      Contudo, não foi antes de algum tempo depois da crucificação que o segredo do Evangelho foi revelado ao Apóstolo Paulo e por seu intermédio, e com ele as melhores novas de todas: “o Evangelho da graça de Deus”.

     A proclamação do “Evangelho da graça de Deus” foi o acompanhamento natural da revelação da cruz como o segredo das boas novas de Deus. Na verdade, o apóstolo chama à sua mensagem distinta tanto “o Evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24) como “a pregação da cruz” (I Cor. 1:18), pois “o Evangelho da graça de Deus” é “a pregação da cruz”, isto é, como boas notícias. É a proclamação da superabundante graça de Deus ao homem por meio do sangue derramado de Cristo, e na mensagem Paulina tudo se centraliza na cruz.

     De acordo com as epístolas Paulinas “nós temos a redenção por meio do Seu sangue” (Ef.1:7), nós somos “justificados pelo Seu sangue” (Rom. 5:9), “reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho” (Rom. 5:10), chegados “perto pelo sangue de Cristo” (Ef. 2:13) e “feitos justiça de Deus n’Ele” porque “Deus O fez pecado por nós (II Cor. 5:21).

     O concerto da lei foi abolido pela cruz (Col. 2:14), a maldição da lei foi removida pela cruz (Gál. 3:13), a “parede de separação” foi derrubada pela cruz (Ef. 2:14-15) e os Judeus e Gentios crentes são reconciliados com Deus num só corpo pela cruz (Ef. 2:16).

     Não admira o apóstolo chamar à sua mensagem “a pregação da cruz”!

     Para o crente é arrebatador ver a cruz como a resposta de Deus para Satanás quando, à primeira vista, parecia que a cruz fora o maior triunfo de Satanás.

     Há muito que Satanás operava por detrás do cenário dos acontecimentos para impedir a vinda do Redentor. Ele opusera-se à Sua vinda ao procurar destruir todos os meninos Hebreus no Egipto (Ex. 1:16, 22), ao procurar aniquilar toda a nação por meio de Faraó (Ex. 14), ao procurar destruir “toda a semente real” por intermédio de Atalia (II Crón. 22:10), ao procurar destruir a raça de novo por meio de Hamã (Ester 3:12-13).

     Quando o enganador fracassou nestas e noutras tentativas contra a vinda de Cristo, e o Senhor, depois de tudo, apareceu na terra, Satanás redobrou os seus esforços para O destruir. Quando ainda uma criança, Herodes procurou matá-l’O (Mat. 2); em Nazaré, os seus patrícios tentaram lançá-l’O a baixo do cume dum monte (Lucas 4:29); um temporal feroz na Galiléia fora desencadeado para O tragar (Mar. 4:37), etc.

     Finalmente parecia que Satanás venceria. Ele conseguira voltar os líderes de Israel contra Cristo (João 7:48), depois as massas (Mat. 13:13-15), depois muitos dos Seus discípulos (João 6:66-67) e finalmente até mesmo um dos doze (Mat. 26:14-16).

     Alguns supõem que Satanás procurou impedir a crucificação, mas nós não devemos presumir que Satanás compreendia que a cruz determinaria a sua derrota e a nossa redenção. Nós lemos claramente que “Satanás entrou em Judas” (João13:27). Satanás pensava que a crucificação de Cristo O destruiria.  Como ele se deve ter congratulado do seu sucesso quando nosso Senhor morreu em vergonha e desgraça na cruz do Calvário!

     Sem dúvida que foi um grande choque e desapontamento para ele ver Cristo ressuscitar de entre os mortos, mas imaginemos o seu desfalecimento quando descobriu que se tinha enganado a si mesmo ao crucificar Cristo - que com a morte de Cristo Deus pagou o preço pelos pecados do homem de tal forma que podia agora salvar o principal dos pecadores e enviá-lo com a oferta da “redenção por meio do Seu sangue, o perdão dos pecados, segundo as riquezas da Sua graça”  (Ef. 1:7).

     Satanás atingiu assim o clímax da sua carreira de engano quando no Calvário se enganou a si mesmo.

     À luz disto não admira que Satanás odeie e se oponha à mensagem da graça, à pregação da cruz, com um ardor tão grande como nunca se opôs nem odiou o programa profético. Não é estranho que seja do propósito de Deus:

     “... que agora, pela igreja, a multiforme graça de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus”  (Ef. 3:10). 
 
CORNELIUS  R.  STAM
 
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