A Salvação Pelo Sangue (VI)

crstam.jpgO GOVERNO HUMANO E O DERRAMAMENTO DE SANGUE
 
     Isto leva-nos a uma outra importante passagem sobre a santidade do sangue para Deus. Instituindo a dispensação do Governo Humano, Ele disse em Génesis 9:5-6:
 
     "Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme à Sua imagem".
 
     O homem era, e ainda é, responsável por levar a cabo esta directiva. Por 1500 anos Deus incorporou mesmo este mandamento na lei civil de Israel.  Por seis vezes ,apenas em Números 35, Deus diz: "certamente o homicida morrerá" e avisa que o derramamento de "sangue faz profanar a terra; e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que nela se derramar, senão com o sangue daquele que o derramou" (v.33).  Vez após vez, com um uso de palavras variadas Ele avisa: "Não permitas que o teu olho tenha piedade do homicida, para que a tua terra não se encha de sangue".
 
     É claro que o homem moderno, especialmente aqui na América (não é diferente em Portugal), conhece um caminho melhor! Em vez de compadecer-se suficientemente da vítima e dos seus entes queridos, e de tomar medidas apropriadas para proteger outros a quem o assassino pode atacar a seguir, os nossos tribunais estão sempre a compadecer-se do assassino, e como resultado o nosso país está realmente a encher-se “de sangue", pois os media na América (e em Portugal igualmente) relatam mais notícias sobre assassinatos e derramamento de sangue do que sobre qualquer outra coisa.  Mal se consegue ouvir as notícias na rádio ou ler um jornal sem se tomar conhecimento de derramamento de sangue – às vezes sobre vários casos. E os muitos casos que não são relatados?
 
     Pode-se dizer: "Mas estamos na dispensação da graça."  É verdade, mas a dispensação do governo humano também ainda está em vigor.  O assassino, condenado à morte, pode encontrar o perdão e salvação porque "Cristo morreu pelos nossos pecados", mas ele ainda tem de responder ao governo pelo seu crime.
 
     Porém se um assassino não for condenado à pena de morte, certamente sofre com a sua consciência que o condenará até o fim dos seus dias na terra – e ainda depois disso.  Muitos assassinos que temporariamente escaparam ao julgamento são tão torturados pelo remorso que voluntariamente confessam os seus crimes e " rendem-se" às autoridades.
 
     Quando o nosso Senhor foi julgado, os Seus acusadores gritaram: "Seja crucificado"!  "O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" (Mt.27:22,25).  Mas apenas decorridos escassos meses depois revelaram a culpa das suas consciências quando se queixaram aos apóstolos: "...e quereis lançar sobre nós o sangue deste homem" (At.5:28).  Agora eles não estavam tão ansiosos de se responsabilizarem pela crucificação do Messias e, quanto a Judas, o Seu traidor, a sua consciência fê-lo voltar aos príncipes dos sacerdotes e lançar o seu dinheiro adquirido de modo infame, aos pés deles, confessando: "Pequei, traindo o sangue inocente" (Mt.27:3-4), após o qual ele "retirou-se e foi-se enforcar" (v.5).
 
     O teólogo liberal que disse que "a doutrina da salvação através do sangue derramado de Cristo é repugnante para as inteligências mais finas", esqueceu-se ou ignorou o facto de que o pecado também é repugnante, especialmente para um Deus santo, e que a culpa e o temor de Seu justo julgamento sobre o pecado são também coisas terríveis
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