O Arrebatamento da Igreja – uma verdade Paulina (I)

Carlos M. Oliveira

 

      Apesar de o termo “arrebatamento” não ocorrer na Bíblia, a verdade do Arrebatamento é claramente ensinada nas Escrituras. O Arrebatamento da igreja é o evento pelo qual Deus removerá da Terra todos os membros do Corpo místico de Cristo, unindo-os “nos ares” ao Cabeça do mesmo – o Senhor Jesus Cristo. 

     Este evento abrirá caminho ao Seu justo julgamento sobre os que rejeitarem o Evangelho da Graça de Deus, e por isso ficarem na Terra para um período de “grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tão pouco há-de haver” (Mateus 24:21), descrito como Grande Tribulação.

     O Arrebatamento é descrito em I Tessalonicenses 4:13-18 e I Coríntios 15:50-54. 
 
     I Tessalonicenses 4:13-18 descreve como os crentes que estiverem vivos por ocasião do Arrebatamento serão arrebatados juntamente com os crentes que já morreram e pertencem ao Corpo de Cristo (só os membros do Corpo se vão juntar à Cabeça) – os demais crentes aguardarão pela 1ª Ressurreição da profecia (Apocalipse 20:5,6). 
 
     “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos ARREBATADOS juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (I Tessalonicenses 4:16-17).
 
     I Coríntios 15:50-54 realça a natureza instantânea do Arrebatamento e os corpos glorificados que receberemos. 
 
     Eis aqui vos digo um MISTÉRIO: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (I Coríntios 15:51-52). 
 
     O arrebatamento da igreja, como diz o texto bíblico anterior, era um “mistério”, ou seja, um segredo nunca antes revelado. Se o surgimento da Igreja, o Corpo de Cristo, era um mistério que só foi revelado a Paulo (Efésios 3:2-9; Colossenses 1:24-2:2), o seu desaparecimento de cena teria que ser, logicamente, do mesmo modo, um mistério.
 
     Há passagens que muitos atribuem ao Arrebatamento, que nada têm a ver com o mesmo. Por exemplo: Mateus 24:37-42 e Lucas 17:30-36. Porquê? Porque quando essas declarações foram proferidas a verdade do Arrebatamento ainda não tinha sido revelada. Se estes textos bíblicos se referissem ao Arrebatamento, quando mais tarde o Apóstolo Paulo disse: “Eis aqui vos digo um mistério …”, o que ele disse de seguida afinal não teria sido segredo nenhum, e isso faria dele um mentiroso.
 
     Mais, como é que o Senhor podia ter dito aos Seus discípulos para estes esperarem ser arrebatados para o Céu se é claríssimo em muitas passagens dos Evangelhos que Ele os preparou para a Grande Tribulação e a Sua vinda à Terra a fim de estabelecer o reino em que eles reinarão com Ele (Mateus 24:4-51; Marcos 13:5-37; Lucas 21:8-36)?
 
     A comparação dos sermões de Pedro em Pentecostes com as passagens acima referidas tornarão muito claro que os Apóstolos não foram instruídos a esperar por um arrebatamento, mas pela vinda de Cristo para reinar na Terra. Eles só conheciam o programa profético – Pentecostes, a Grande Tribulação e a vinda de Cristo à Terra.
 
     Eles começaram o seu ministério em Jerusalém como o Senhor lhes ordenou, mas nunca foram bem sucedidos em levar a rebelde nação de Israel aos pés do Messias. Foi então que Deus, em admirável graça, interrompeu o programa profético, suspendeu o juízo, e introduziu a dispensação da graça (Efésios 3:1-9).
 
     Quando o parêntesis da graça se fechar Deus retomará de novo a Sua obra com Israel e acabará por voltar à Terra a fim de reinar sobre eles e o mundo. Porém isto é profecia a respeito de Israel e as nações, NÃO o mistério do Corpo de Cristo
 
     Mas mais ainda, Mateus 24:37-42 explica bem que o evento ali referido e em Lucas 17:30-36, é a vinda do Senhor à Terra, que sucederá depois da Grande Tribulação, e não o Arrebatamento – que acontecerá antes da mesma.
 
     O Senhor realça bem que o acontecimento a que Ele se refere em Mateus e Lucas ocorrerá “como foi nos dias de Noé”, e compara em detalhe ambos os acontecimentos.
 
     Diz o Senhor que COMO, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os LEVOU a todos - ASSIM SERÁ TAMBÉM a vinda do Filho do homem” (Vers. 38,39).
 
     E como será?
 
     Diz o Senhor: “Então, estando dois no campo, será LEVADO um, e deixado o outro; estando duas moendo no moinho será LEVADA uma, e deixada outra”.
 
     Ou seja, assim como nos dias de Noé os perdidos foram LEVADOS em juízo, assim será quando o Senhor vier à Terra para reinar, após a Grande Tribulação – os perdidos serão LEVADOS em juízo. Serão deixados na Terra os habilitados a entrar no Reino Milenar para reinar com o Senhor.
 
     Porque no Arrebatamento os salvos serão levados para se encontrarem com o Senhor nos ares e os perdidos serão deixados suportando o juízo de Deus na Grande Tribulação que se seguirá, associa-se – erradamente – este facto ao narrado nos Evangelhos, mas que como vimos nada tem a ver com ele.
 
     A verdade do Arrebatamento da Igreja só está revelada nas epístolas de Paulo - é, pois, uma verdade Paulina. Não deve haver nenhum rebuço em reconhecer e afirmar isto. Afinal não foi a Paulo que foi dada a dispensação da graça de Deus?
 
     “Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado …" (Efésisos 3:1-9).
 
     “Eis aqui vos digo um MISTÉRIO …”.
 
- C.M.O.

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