O homicídio involuntário, o homicídio voluntário e o mistério - abundante graça (1)

crstam.jpg     Quanto à sua natureza, a maior parte das histórias de homicídio são chamadas de “homicídios mistério”, e a questão que mantém o leitor ocupado quase até ao fim é: Quem o cometeu?

     O maior homicídio mistério de todos os tempos, com o mais admirável desfecho – um desfecho que ninguém poderia prever – é contado pelo próprio Deus.

        
    O HOMICÍDIO INVOLUNTÁRIO E O HOMICÍDIO VOLUNTÁRIO 

     A Palavra de Deus tem muito a dizer tanto sobre o homicídio involuntário como sobre o homicídio voluntário.

Juntamente com a lei moral de Israel, Deus deu ao Seu povo um código civil – um código em que as leis da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos,1 se têm grandemente baseado.

     Este código continha estatutos claros que tratavam do homicida involuntário (aquele que matava alguém acidentalmente) e o homicida voluntário (aquele que matava alguém intencionalmente).

     Foram feitos provimentos graciosos para o homicida involuntário em Israel. Na sua aflição ele podia fugir do “vingador de sangue” para a “cidade de refúgio” mais próxima – haviam seis espalhadas pela Palestina – e podia permanecer ali em segurança até os juízes julgarem o seu caso (Núm. 35:12). Se fosse achado inocente de homicídio intencional a sua vida seria poupada e ele poderia permanecer na cidade de refúgio enquanto o sumo sacerdote vigente vivesse (Núm. 35:25).

     Mas as cidades de refúgio eram apenas para os homicidas involuntários (Deut. 19:4; Jos. 20:3). A pessoa tida por culpada de homicídio voluntário era expulsa da cidade para pagar com a morte o seu crime.

     As leis de Deus a respeito do homicida voluntário eram severas e inflexíveis. Ele diz três vezes apenas em Números 35: “certamente o homicida morrerá [ou seja, será morto].” (Vers. 16,17,18). Em Deut. 19:13 Ele diz:

     “NÃO O OLHARÁS COM PIEDADE; antes, exterminarás de Israel a culpa do sangue inocente, para que te vá bem” (RA).

     Esta não é, de forma alguma, a única passagem em que Deus avisa Israel para não ter pena do homicida voluntário, a fim de o homicídio não ser considerado com ligeireza e a terra não se encher de sangue.

O HOMICÍDIO DE CRISTO 

     Consideremos agora tudo isto em relação à acusação de Israel e à crucificação de Cristo.

     Mat. 26:3,4 revela como o Sinédrio se reuniu no palácio do sumo sacerdote “e consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e O matarem”. Pense nisto! O supremo tribunal da terra planeando a morte de um suposto criminoso!

     A seguir ficamos a saber de Luc. 22:3-5 como Judas foi ter com os principais dos sacerdotes (que exerciam a mais forte influência no Sinédrio) e combinou com eles a traição de Cristo: “os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro”.

     Depois, no chamado “julgamento”, ficamos a saber como de facto o Sinédrio procurou falsas testemunhas contra Cristo para as usar como “evidência” para a Sua condenação (Mat. 26:59). E depois de terem condenado o Senhor à morte, tiveram uma outra reunião para assegurarem, se possível, a Sua condenação e execução por Pilatos, o Gentio (Mat. 27:1,2).

     Entretanto, Judas torturado por uma consciência culpada, voltou ao concílio com o dinheiro da traição, confessando que tinha traído “sangue inocente”, porém os jurados repostaram: “Que nos importa? Isso é contigo”, resultando daí que Judas atirou “para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar” (Mat. 27:3-5).

     Seguidamente vieram o terrível julgamento perante Pôncio Pilatos, as falsas acusações, e o horripilante clamor: “Fora daqui com este, e solta-nos Barrabás”.

     Mas eles assumiriam a culpa da execução de Quem o governador não pôde encontrar falta alguma? Na verdade assumiram, pois quando Pilatos lavou as suas mãos em protesto, eles clamaram:

     “… o Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mat. 27:25).

     Lucas descreve o cenário assim:

     “Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, e os dos principais dos sacerdotes, redobravam.

     “Então Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam” (Luc. 23:23,24).

     À luz de tudo isto a execução de Cristo no Calvário pode ser considerada algo menos do que homicídio premeditado?

     Não admira que o nosso Senhor, numa das Suas parábolas proféticas, tivesse chamado aos que O rejeitaram de “aqueles homicidas” e predissesse que Deus incendiaria “a sua cidade” (Mat. 22:7).

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1 E de Portugal.

— Cornelius R. Stam

(Continua)

 O homicídio involuntário, o homicídio voluntário e o mistério - abundante graça (2)

 

 

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