O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVI) - Considerações finais 9

crstam.jpgO homem espiritual julga todas as coisas

    
Mas onde Deus tem revelado claramente a Sua verdade e vontade, os crentes devem julgar entre verdade e erro, não só “estar firmes” no que está certo, mas “resistir” ao que está errado (Ef 6:11,13) – e isto muitas vezes envolve “julgar” e até “resistir” às pessoas envolvidas (Ver Gl 2:11-14).

     Usando esta mesma palavra, krino, o Apóstolo diz:

   “Porém o homem espiritual julga todas as coisas, e ele não é julgado por ninguém” (1 Co 2:15 TB).

     O homem verdadeiramente espiritual está tão acima dos mais sábios deste mundo, sim, da maioria dos Cristãos com quem ele entra em contacto, que ele os compreende, porém eles nunca o conseguem compreender completamente.1  É claro que deve haver mais crentes assim, homens de Deus que são verdadeiramente espirituais e verdadeiramente qualificados para julgar entre o que está certo e o que está errado, o que é e não é bíblico. Referindo-se às disputas entre os crentes Coríntios, Paulo escreveu:

     “Digo-vos isto para vos envergonhar. É assim que não se pode achar entre vós um só homem sábio que possa julgar entre seus irmãos?” (1 Co 6:5; cf. Vers. 2,3).

     Tudo isto é confirmado por uma outra declaração feita pelo nosso Senhor quando estava na Terra, pois em João 7:24 lemos as Suas palavras:

     “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”.

     Certamente que o nosso Senhor indicava com estas palavras que os Seus ouvintes deviam julgar – corretamente e com equidade, se bem que os “hipócritas” (como em Mt 7:1-5) devessem ter cuidado em não julgar de modo algum.

     Por conseguinte Deus chama o Seu povo, não meramente a julgar os outros, mas a ser moral e espiritualmente qualificado para julgar em questões onde a verdade e erro, e conduta certa e errada estão em causa.


Julgarmo-nos a nós mesmos

    
Na bem conhecida passagem de Paulo sobre a Ceia do Senhor, ele avisa contra a participação deste memorial sagrado de um modo indigno (1 Co 11:27), e acrescenta:

     Examine-se pois o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (Ver. 28).

     Concluindo as suas observações sobre este assunto, ele diz:

     “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.

     “Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Co 11:31,32).

     Rejeitemos, então o uso das palavras do nosso Senhor em Mt 7:1 como desculpa para a irresponsabilidade e permissividade, e especialmente para as críticas que se fazem àqueles que procuram permanecer fiéis a Deus e à Sua palavra. O pensamento do nosso senhor em toda esta passagem (até ao Ver. 5) era que o julgamento precipitado e hipócrita sobre os outros deveria ser rejeitado por aqueles que esperavam entrar no reino dos céus.

_____________________________
O livro do autor, Verdadeira Espiritualidade, trata este assunto com alguma extensão.

— Cornelius R. Stam

(Continua)

O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio 
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O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
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O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
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O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
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O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
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