Contradição em que cai quem hoje fala de surgimento de sinais e cumprimento de profecias

Carlos M. Oliveira     Nos nossos dias pululam à nossa volta “profetas” que gostam muito de dar os seus palpites publicamente sobre a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo sem conhecerem devidamente o assunto, o que os faz cair em contradição sem provavelmente se aperceberem. Contradizem-se quando dizem às pessoas – como já o têm dito muitas vezes, durante muitos anos (conhecemos bem alguns) - que Jesus pode vir de imediato, a qualquer momento – vinda iminente – e, por outro lado, falam de sinais estarem a acontecer indicando que a Sua vinda, se bem que próxima, não é iminente.

     Qualquer pessoa minimamente lúcida não deixará de perguntar:

     Afinal, a Sua vinda é iminente ou está próxima? Não é a mesma coisa!

     A vinda do Senhor pode acontecer esta noite, como poderia ter acontecido ontem, há 100, 1000, 2000 anos?

     Se sim, então fale-se de IMINÊNCIA da Sua vinda, não de PROXIMIDADE.

     Só se pode falar de PROXIMIDADE da Sua vinda quando se estiver em fase de cumprimento dos sinais e profecias. Mas nesse caso não se pode dizer que a Sua vinda seja iminente, pois só quando se cumprirem TODOS os sinais, TODAS as profecias, é que o Senhor vem, e neste momento todos sabem que falta acontecer MUITA coisa.

     Se uma mulher sabe que o marido chega normalmente do trabalho a casa pouco depois das 18:00, ela sabe que, a partir de 18:00, a sua chegada é iminente. Se a mulher sabe que o seu marido tem que trabalhar horas extras, ela não pode falar da iminência do seu regresso às 18:00; quanto muito poderá falar da proximidade do seu regresso.

     Um dos casos mais fortes em que se pode ver que a Igreja primitiva esperava o retorno IMINENTE de Cristo é o uso da palavra Maranata, que era usado como uma saudação naqueles dias. Quando os crentes se reuniam ou separavam, eles não diziam "Olá" ou " Adeus"; eles diziam "Maranata!"

     Há alguns escritos que dizem que Maranata é hebraico e grego, mas na verdade é uma expressão aramaica. Na realidade, esta palavra é composta de três palavras em aramaico : Mar, que significa "Senhor"; ana, que significa "nosso"; e ta, que significa "vir".

     Assim, quando colocadas conjuntamente – Mar-ana-ta - significam "Vem, nosso Senhor". Esta palavra transmite perfeitamente o conceito de que o Senhor pode vir a qualquer momento.

     O mais interessante na palavra Maranata é que ela existe na forma de uma petição. Quando um Cristão na Igreja primitiva fazia essa afirmação, ele estava realmente a pedir a vinda do Senhor. Isto, obviamente, implica a crença de que era possível que Jesus respondesse ao pedido, e que por conseguinte a Sua vinda era iminente.

     Se os membros da Igreja do primeiro século acreditassem que certos acontecimentos teriam que ocorrer antes de o Salvador poder voltar, eles teriam sido idiotas ao cumprimentarem-se uns aos outros usando a palavra "Maranata". Eles viveram há quase 2.000 anos, e apesar disso parece que tinham uma consciência mais profunda da iminência da vinda do Senhor do que muitos Cristãos hoje.

     Os tais “profetas” hoje, dizem que estão a acontecer “sinais”, que estão a cumprir-se profecias, indicativos da proximidade da Sua vinda? Se sim, então deveriam ser, no mínimo, lógicos, pois o pacote de profecias e sinais de que as Escrituras falam é bem maior do que o que eles têm indicado. Nesse caso, só quando as profecias e sinais de que a Bíblia fala se cumprirem TODOS é que se pode dizer às pessoas que a vinda de Jesus está iminente.

     O erro de entendimento destes “profetas” está em não distinguirem a vinda do Senhor Jesus Cristo aos “ares” (1 Tes. 4:17) para buscar a Sua Igreja – vinda iminente, que não depende do cumprimento de nada -, com a Sua vinda à Terra (Mateus 25:31,32), ao Monte das Oliveiras (Zacarias 14:4; Atos 1:11,12), que é precedida de um vasto pacote de profecias e sinais associados. Veem tudo como uma única vinda.

     Para ocorrer a vinda do Senhor em que Ele se encontrará com os crentes “nos ares”, não tem que acontecer nada para que se realize. O apóstolo Paulo mostra claramente a iminência desta vinda, não a fazendo depender do cumprimento de nenhuma profecia ou surgimento de algum sinal.

     Mais exemplos claros da iminência da vinda do Senhor nas epístolas de Paulo:

     Em I Ts.1:9-10, o Apóstolo lembra aos crentes de Tessalónica como "vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro. E esperar dos céus a seu Filho...".

     Semelhantemente, ele afirma que os crentes de Corinto estavam "esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" (I Co. 1:7).

     Aos Filipenses ele escreveu: "Mas a nossa cidade [cidadania] está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Fp.3:20).

     Isto concorda com I Co.15:51, onde o Apóstolo escreveu aos coríntios:

     "[Nós] Nem todos dormiremos, mas todos [nós] seremos transformados" (I Co.15:51).

     De facto, na maior parte das suas referências ao Arrebatamento o Apóstolo mostra claramente que ele, quando escreveu sobre estas coisas, esperava estar entre os vivos no momento da vinda de Cristo para os Seus. O uso que ele faz do pronome “NÓS”, nesta relação, torna isto claro. Por conseguinte, Paulo cria na iminência da vinda do Senhor – não estava à espera do cumprimento de nenhuma profecia ou do surgimento de qualquer sinal.

     Aos Tessalonicenses Paulo reforça o facto de esperar estar vivo quando o Senhor viesse: "Dizemo-vos, pois, isto, pela Palavra do Senhor: que NÓS, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem" (I Tes. 4:15).

     Evidentemente, ele não tinha nenhuma ideia de que Deus, em misericórdia, estenderia o dia da graça por mais de 1900 anos – fazendo a dispensação da graça perdurar pelo menos 400 anos mais do que dispensação da Lei. Mas assim é a misericórdia e longanimidade de Deus (Ver II Pe.3:9).

     Além disso, Paulo é claro ao dizer que os sinais têm a ver com Israel (1 Coríntios 1:22) – não com a Igreja – e Deus, como bem sabemos, agora não está a tratar com Israel, mas com a Igreja. Israel está presentemente em incredulidade.

     Quando, a seguir ao Arrebatamento da Igreja se desencadear o período da Grande Tribulação – 70ª semana de Daniel, em que Israel voltará a ter papel predominante – num curto espaço de uma semana de anos – 7 anos - o Senhor virá à Terra, e esta vinda, então sim, será precedida de uma série de sinais e cumprimento de profecias em catadupa, indicativos da proximidade da Sua vinda à Terra.

     Ponhamos os pontos nos ii.

- C. M. O.

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