Um Guia Para a Piedade (VI)

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     "Sabendo isto, que o nosso homem velho foi [ESTÁ, segundo a versão King James Século XXI] com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado." (Rm.6:6). 

     Muitos crentes interrogam-se porque é que ainda têm problemas com o seu "velho homem" se Paulo diz que ele está crucificado.  Mas enquanto Paulo diz que nós  "fomos" baptizados na morte de Cristo (v.3-4) - tempo passado -, ele diz que o nosso velho homem "está" crucificado com Ele - tempo presente.  A crucificação romana significava uma morte certa, mas nunca significava uma morte imediata. Se alguém libertasse um crucificado arriscava-se também a morrer; era certo que a morte se seguia à crucificação.  Contudo um homem crucificado frequentemente demorava horas e até dias a morrer.  E é assim também com o nosso "velho homem".  O seu fim é certo, pois a morte ou o Arrebatamento livrar-nos-á dele para sempre, mas enquanto isto, ele protela-se.

     Porém isto deveria encorajar o leitor a lembrar-se que com as suas mãos e pés pregados numa cruz, um homem crucificado não tinha poder para obrigar alguém a fazer qualquer coisa.  Do mesmo modo, o nosso velho homem não tem poder na nossa vida para nos fazer pecar. No entanto, os homens crucificados podem falar e isto explica porque é que ainda temos problemas com o nosso velho homem.  Ele não se acanha em sugerir o mal em todas as oportunidades, mas que Deus nos ajude a tratá-lo como a influência impotente que é sobre as nossas vidas. 

     Apesar do Senhor ter ensinado que se um olho fizer tropeçar deve ser arrancado e se uma das mãos fizer tropeçar deve ser decepada, isto ainda permite ficar-se com um olho e uma mão para se continuar a pecar!  O que o Senhor nos oferece hoje, aqui, através de Paulo, é muito melhor, porque o nosso velho homem está crucificado com Cristo "para que o corpo do pecado seja destruído".

     "Porque aquele que está morto, justificado está do pecado" (Rm.6:7).

     A morte termina com todos os relacionamentos terrenos.  A morte era a única esperança de liberdade para os escravos nos primeiros anos dos Estados Unidos.  Contudo, imagine a frustração de Abraão Lincoln (presidente dos EUA entre 1861 a 1865) quando, depois de libertar os escravos, muitos deles escolheram ficar com seus amos!  Depois, imagine a frustração de Deus quando depois de Ciro libertar Israel da sua escravidão (cativeiro em Babilónia), apenas cerca de cinquenta mil voltaram a Israel (Esdras 2:64-65).  Agora imagine a frustração de Deus, quando “aquele que está morto” e “justificado está do pecado,” continua a pecar!

     “Mas se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele” (Rm.6:8). 

     Aqui Paulo fala da certeza da nossa vida futura, vivendo e reinando com Cristo no céu.  Porque é que isto é aqui trazido?  Bem, se realmente cremos que viveremos e reinaremos com Cristo, viveremos melhor agora, no tempo presente.

     Um presidente eleito em Novembro não diz a si mesmo: "Como tenho dois meses antes da tomada de posse, será melhor aproveitar a vida agora porque depois terei que me comportar bem."  Se ele fizesse isto, os media cairiam sobre ele!  Do mesmo modo, nós que estamos destinados a substituir os principados e poderes decaídos e reger com Cristo nos céus, somos "os principados eleitos".  E apesar de ainda não termos tomado posse, já fomos eleitos e deveríamos estar já a reflectir a dignidade do nosso ofício futuro agora, nesta vida.  

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