O que pensa do matar por misericórdia?

Apesar de não sermos insensíveis com aqueles cujo sofrimento os incita a considerar o suicídio assistido, cremos que a eutanásia é errada, seja ela, realizada por retenção de alimentos, seja pela aplicação de medicamentos letais.  

Quando Saul foi ferido, pediu ao seu pajem que o matasse para que, vindo os inimigos, não “escarnecessem” dele (1 Sam. 31:1-4). Por outras palavras, ele pediu-lhe que o assistisse no seu suicídio, a fim de ser salvo de uma morte lenta e penosa. Contudo, o seu pajem, acertadamente, “temia muito” em obedecer, como também todos nós devemos temer, se alguém nos pedir que assistamos ao seu suicídio. Saul tirou, então, a sua própria vida.  

Mais tarde, um Amalequita mentiu e reclamou ter assistido Saul no seu suicídio, pensando que David o recompensaria (2 Sam. 1:1-10). Mas David ordenou que ele fosse executado por não ter “temido” matar Saul (v. 13-16). Assim, sabemos que Deus não permite que terminemos com o sofrimento de alguém através da eutanásia. Deus considera isso um crime punível com a morte – a punição bíblica para o homicídio (Gén. 9:6), implicando claramente que matar por misericórdia é homicídio.  

Os que argumentam que temos o direito de fazer o que queremos com o nosso próprio corpo soam assustadoramente como os que promovem o direito ao aborto. Mas 1 Coríntios 6:19,10 declara ao Cristão que os crentes não têm nenhum direito de fazer o que querem com o seu próprio corpo, pois está escrito: “não sois de vós mesmos”, mas “de Deus”.  

Paulo diz que quando “gememos em nós mesmos” (Rom. 8:23), isso deve levar-nos a “esperar ... a redenção do nosso corpo” (v. 23), isto é, o Arrebatamento. Se esperarmos por isso “com paciência” (v. 25) nos dias terminais de uma doença longa e prolongada, a nossa vida poderá ser um testemunho que brade literalmente ao descrente de que temos algo que ele não tem. Todavia se, impacientemente, terminarmos por nossa própria mão ou por mão de um assistente com o nosso sofrimento, roubamos a Deus o que é muitas vezes o maior testemunho poderoso das nossas vidas.  

Por vezes questionam-nos por casos em que o paciente está em fase terminal, com nenhuma perspectiva de futuro aqui na terra, a não ser uma morte lenta e agonizante. Apesar das pessoas em tais casos terem a nossa profunda simpatia, temos de insistir que a Bíblia está certa nesta área, como em todas as outras.  

Que Deus nos ajude a fortalecer as nossas almas alimentando-nos da Palavra de Deus, de modo a que se formos chamados a suportar um sofrimento, de morte, longo e prolongado, possamos dizer com Paulo, que a Sua graça nos basta (2 Cor. 12:9).  

- Ricky Kurth

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