"Não movamos os marcos!"

Ricky Kurth     Não mudes o marco do teu próximo, que colocaram os antigos na tua herança, que possuíres na terra, que te dá o SENHOR, teu Deus, para a possuíres. (Dt 19:14)

     O "marco" aqui referido é o marco territorial, algo que marca onde termina o teu terreno e começa o do teu vizinho.

     Actualmente espeta-se uma viga de cimento na terra para distinguir e separar as propriedades, mas os marcos antigos consistiam apenas em pedras, que podiam ser movidas por alguém que quisesse usurpar o terreno do vizinho. Deus pronunciou uma "maldição" sobre todo o homem que se atrevesse a prejudicar o seu irmão Hebreu (Dt 27:17). Isto porque após Deus ter dividido a Terra Prometida entre os filhos de Israel no Livro de Josué, ele ordenou-lhes que não vendessem a terra. (Lv 25:23, Nm 36:7) Foi por esta razão que Nabote recusou vender a sua terra a Acabe. (1 Rs 21:1-3) Nabote não estava a ser teimoso nem a desrespeitar o seu rei, estava a ser fiel à Lei do seu Deus. (cf. Ez 46:18).

     Até aos dias de hoje, os marcos continuam a limitar as fronteiras da tua terra. No entanto, hoje também temos certos marcos sociais que Deus usa para nos ajudar a distinguir o certo do errado. Por exemplo, durante milhares de anos, a humanidade compreendeu claramente a posição que devia tomar relativamente ao aborto. Então, em 1973 (2007 em Portugal) o Supremo Tribunal dos EUA removeu o marco ao legalizar o aborto, e temos vivido com as consequências holocáusticas desta decisão de "limite territorial" desde então. Agora, os políticos derrubaram ainda outro marco dado por Deus, que é a definição de casamento e da ligação que aos olhos de Deus só pode existir entre um homem e uma mulher.

     Estes marcos também existem na área espiritual da doutrina Bíblica. Os fundamentos históricos da fé que define o Cristianismo têm durante séculos ajudado o povo de Deus a distinguir onde termina o correcto e começa o errado. Estes marcos espirituais estão sempre a ser atacados, e os dias em que vivemos não são excepção. Para contrariar esta tendência, o Apóstolo Paulo desafiou com estas palavras o jovem Timóteo: "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus." (2Tm 1:13)

     Embora devamos estar sempre abertos a receber novos conhecimentos da Palavra de Deus "de bom grado" (At 17:10,11), devemos "examinar tudo" e "reter" apenas "o bem" (1Ts 5:21).

     Temos uma herença fantástica em Cristo (Ef 1:11,14), que estes marcos servem para salvaguardar.

     Vamos então trabalhar juntos para os defender?

Ricky Kurth

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