Ilustrações da Verdade Bíblica (XLV)

Por H. A. Ironside
Quem poderá pagar?
“E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos …” (Lucas 7:42).
Há anos atrás, Nicolau, o Primeiro, Czar da Rússia, tinha, ocasionalmente, o hábito de pôr de lado o traje real, trajando o uniforme de um oficial subalterno, procurando saber assim como as coisas iam com os seus soldados. Numa ocasião um seu favorito, um jovem, filho de um amigo íntimo seu, a quem ele tinha dado uma posição numa fortaleza de fronteira, responsável pelo dinheiro usado para pagar aos soldados, caiu em maus hábitos; meteu-se no jogo, e aos poucos, levado continuadamente pela ilusão que armadilha o jogador para sua desgraça, tinha apostado toda a sua riqueza própria, tendo depois usado os fundos governamentais que lhe foram confiados. Ele retirava apenas alguns rublos de cada vez e não tinha ideia da quantidade desviada. Ele recebera uma notificação de que no dia seguinte, um funcionário do tribunal viria examinar os registos e para contar o dinheiro que tinha em caixa. Ele achou que nunca conseguiria encarar aquela situação e assim na noite anterior, fechou a porta e sentou-se com os seus livros diante dele. Ele abriu o cofre, tirou a mísera pequena quantidade de dinheiro, contou-o cuidadosamente, anotou o montante numa folha de papel, tomou nota das várias apropriações indevidas que tinha efetuado, e quando efetuou a soma, ficou a olhar para aquilo, e finalmente escreveu sob os números, "Uma grande dívida; quem poderá pagar?”
"Ele sabia que lhe era impossível resolver o problema; olhando para a pequena quantia de dinheiro, pensou: "Que fracasso eu fui!" Ele decidiu que não viveria para enfrentar a desgraça do dia seguinte; iria explodir os miolos quando o relógio assinalasse a meia-noite e deixaria todos os papéis para que o agente entendesse tudo o que tinha acontecido. Quando ele estava ali sentado a refletir sobre a maneira como tinha desperdiçado a sua oportunidade, de repente, foi acometido de sonolência e, apesar do horror da sua situação, adormeceu.
Aconteceu naquela noite que o Czar Nicolau, fardado de oficial subalterno da guarda, entrou no portão da fortaleza, apresentando a senha correta, e dirigiu-se aos salões. As luzes deveriam estar todas apagadas de acordo com os regulamentos, mas quando ele se aproximou do salão principal, vislumbrou luz por debaixo da porta. Aproximou-se da porta e pôs-se a escutar, mas não havia som algum. Ele rodou a maçaneta, a porta abriu-se; ele olhou para dentro e viu o oficial a dormir e, em seguida, o dinheiro e o cofre aberto, os papeis, os livros, e ele interrogava-se sobre o que significava aquilo. Ele avançou em biscos de pés e colocou-se atrás do homem, e olhando por cima do ombro, leu o papel dele. Tudo se tornou claro num momento. O jovem tinha desfalcado sistematicamente durante meses.
O primeiro pensamento do Czar foi colocar a mão no seu ombro e dizer-lhe que ele estava preso. No momento seguinte o seu coração desfez-se em compaixão; ele relembrou-se da sua infância; lembrou-se do pai; como ficaria com o coração partido, se o filho fosse preso! Depois aconteceu, por acaso, ver aquela questão que fazia pena, "Uma grande dívida; quem poderá pagar?”
Movido por um impulso generoso, esticou o braço, pegou na caneta que havia caído ao lado do homem adormecido, escreveu uma só palavra sob aquela linha, saiu em bicos de pés, e fechou a porta.
O homem dormiu durante mais ou menos uma hora, depois, acordou de repente, viu que já passava da meia-noite. Levantou-se, pegou no revólver, encostou-o à testa, e estava prestes a puxar o gatilho, quando os seus olhos viram aquela palavra sobre a folha de papel que ele sabia que não estava lá quando adormeceu . Tratava-se do nome, "Nicolau". Largando a arma, disse: "Pode ser?" Ele dirigiu-se a um dos seus arquivos, pegou em alguns documentos que tinham a assinatura autêntica do Czar e comparou-os com a palavra escrita sob a linha, "Uma grande dívida; quem poderá pagar?” Era a verdadeira assinatura do Czar e ele disse: "O Czar esteve aqui hoje à noite, ele sabe de toda a minha culpa e ele ainda assim resolveu pagar a minha dívida. Eu não preciso de morrer." E, assim, em vez de atentar contra a sua vida, ele descansou na palavra do Czar, como revelava aquele nome escrito no papel, e não ficou surpreso quando, na manhã seguinte, chegou um mensageiro do palácio real trazendo um saco de ouro que ele contou e verificou ser exatamente o montante do dinheiro em falta. Ele colocou-o no cofre e quando o inspetor veio e foi inspecionar os livros, verificou que estava tudo certo. Nicolau tinha pago totalmente.
Trata-se de uma simples ilustração humana, mas retrata o que o Senhor Jesus Cristo fez.
"Jesus toda a minha dívida pagou,
Oh maravilhoso amor;
O caso mais extremo Ele saldou,
Oh, maravilhoso amor.
A justiça está satisfeita,
A iniquidade está desfeita,
A alma está acolheita,
Oh, maravilhoso amor."
Uma só palavra significou paz para o coração daquele homem, "Nicolau." Uma só palavra significou paz para o meu coração, o nome de "Jesus". Por meio d’Ele, e da Sua obra na cruz justificação foi alcançada para todos os meus pecados. E para si, há a mesma salvação, a mesma absolvição, a mesma remissão, o mesmo perdão, pois Deus "O fez pecado por nós; para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus" (II Coríntios. 5:21).
- Continua



