10 razões porque devemos cantar os Salmos

Saltério Muitos de nós crescemos em contextos teológicos onde os salmos eram conhecidos, mas não cantados. Estes contextos teológicos são anomalias ao longo da história da Igreja. E. F. Harrison observou que "A Salmodia era uma parte do culto na sinagoga que, naturalmente, passou para a vida da igreja." Calvin Stapert fala da "promoção entusiasta do canto dos salmos" por parte dos pais que ele diz, "chegou a um pico sem precedentes no século IV." James McKinnon fala de "uma onda sem precedentes de entusiasmo" pelos salmos, na segunda metade do século IV. Hughes Oliphint Old argumentava que para o canto dos salmos Calvino apelava para os historiadores da Igreja (por exemplo, Eusébio, Sócrates, Sozomen), assim como para os Pais da Igreja (por exemplo, Agostinho, Basílio, Crisóstomo). Embora os reformadores não defendessem o canto exclusivo dos Salmos eles expressavam "alguma parcialidade para com os salmos, hinos extraídos das Escrituras."

O reformador Martinho Lutero incitava que os salmos fossem cantados pelas congregações de modo a que "a Palavra de Deus pudesse estar entre as pessoas também em forma de música." Por volta do final do século 19, no entanto, a maioria dos hinários produzidos tinham limitado os salmos a um par de peças conhecidas como o centésimo do antigamente. Além disso, as referências bíblicas tinham tudo, menos desaparecido. Terry Johnson resumiu o estado da ausência de salmos:

Este eclipse da salmodia no final do século XIX é bastante sem precedentes. Os salmos, como já vimos, têm sido a forma dominante do canto da igreja começando com os Pais da Igreja, por toda a Idade Média, durante o período da Reforma e Pós-Reforma, e na era moderna. Pelo início do século XX, a igreja tinha perdido a voz através da qual vinha expressando o seu louvor cantado durante mais de 1800 anos. Embora nos últimos cem anos não tenham sido amigos dos salmos, temos visto nos últimos 30 anos, uma espécie de renascimento da salmodia na igreja moderna, especialmente na tradição reformada. Novos hinários, como o Cantus Christi, e muitos outros estão a incluir antigos e novos salmos (métrica e canto). Então, porque deveríamos cantar os salmos? Não são os hinos do século XIX e os cânticos contemporâneas suficientes para atender aos requisitos de adoração da congregação moderna? A resposta é um sonoro não!

Há dez razões que eu acredito porque as congregações devem recomeçar a cantar salmos:

Em primeiro lugar, o canto dos salmos é um mandamento bíblico explícito – “cantarei e salmodiarei ao Senhor” (Sl 27:6). As Escrituras encorajam-nos a cantar "com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração" (Colossenses 3:16). Para que a Palavra de Cristo habite em nós abundantemente, como recomenda este último texto bíblico no seu início, é necessário investir na rica beleza do saltério. Como podemos cantar o que nós não conhecemos? Existe uma melhor maneira de interiorizar a Palavra do que cantá-la?

Em segundo lugar, o canto dos salmos era uma prática antiga da Igreja e continuou a sê-lo por 1800 anos. Honramos os nossos antepassados e a nossa história quando cantamos os seus cânticos.

Em terceiro lugar, Calvino observou que os salmos são "uma anatomia de todas as partes da alma; pois não há nenhuma emoção de que qualquer um possa estar consciente que não esteja ali representada como um espelho". Os salmos são gratificantes para o ser humano. Nós somos homos adorans - seres que adoram. Deus não é contra as emoções, Ele é contra o emocionalismo. O Saltério é um livro emocional. Ele oferece conforto para o povo de Deus em diferentes fases da vida. Como ministro eu nunca uma única vez entrei num quarto de hospital e fui convidado a ler um texto que não um salmo (na maioria das vezes o Salmo 23). Os salmos alcançam bem o fundo da nossa humanidade em tempos de dor.

Em quarto lugar, o canto dos salmos edifica a nossa piedade Cristã. É nutrimento para as nossas almas. É o livro devocional de Deus; o hinário de Deus. O canto dos salmos restaura a alegria da nossa salvação.

Em quinto lugar, os Salmos são em última análise, feitos para o corpo. Podemos cantar os salmos por nós mesmos, mas eles atingem o seu auge quando os cantamos juntos. Eles são feitos para serem bramidos (Sl 47:1), pois eles foram escritos pelo Leão de Judá. Quando os cantamos juntos somos ambos edificados e edificamo-nos uns aos outros. "Nós cantamos porque ao cantarmos unimo-nos numa respiração e melodia comum de uma maneira que nenhum outro meio pode duplicar ... Tornamo-nos numa assembleia unida em propósito e pensamento. E pelo nosso canto, ouvimos a Palavra de Deus, e o mundo ouve-a alto e claro."

Em sexto lugar, devemos cantar os Salmos, porque eles nos remodelam; eles reorientam a nossa atenção. Nós somos um povo constantemente a ser santificados pelo Espírito de Deus, e o Espírito inspirou especificamente 150 salmos para a nossa santificação. Como devemos orar? Como devemos pedir? Como devemos lamentar? Os Salmos ajudam-nos a responder a essas perguntas e, assim, moldam-nos cada vez mais à imagem de Cristo.

Em sétimo lugar, ao cantarmos os salmos adoramos pelo Espírito. Na Bíblia o Espírito paira, molda, refaz. Ele é a música de Deus no mundo. Numa era em que a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade se tornou fonte de confusão teológica, os Salmos mantêm-nos focados no Seu papel e propósitos na história.

Em oitavo lugar, devemos cantar os salmos, porque os nossos cânticos atuais têm muitas vezes pouco valor e são superficiais. Os Salmos têm um valor enorme e estão cheios de substância. Se nos interrogarmos porque é que a comunidade evangélica está tão sem poder, a resposta é por causa da sua adoração banalizada. Adoração moderna é muitas vezes um exercício pietista, que se manifesta numa teologia mal construída e pessimista.

Em nono lugar, os salmos devem ser cantados porque os nossos filhos precisam deles. Os nossos pequeninos precisam conhecer o Deus que eles adoram de maneira profunda de seus primeiros dias. Nós tornamo-nos no que adoramos, e os nossos filhos tornam-se no que cantamos.

Em décimo lugar, deve-se cantar os salmos, porque o mundo precisa deles. O mundo não precisa de um Evangelho fraco. Ele já vê muito dele. Ele precisa ouvir um evangelho de um Deus que se deleita em louvor, que não vai permitir o mal impune, e que nos prepara uma mesa.

Isto tudo pode parecer assustador e estranho. Mas eu encorajo-vos a dar o primeiro passo. O que a princípio pode parecer estranho pode tornar-se numa jornada maravilhosa em louvor e ação de graças ao Deus de Quem fluem todas as bênçãos.

- Uri Brito

Salmos escoceses com métrica
Salmo 147:1-11

1 LouvaiI ao Senhor, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus; isto é agradável; decoroso é o louvor.
2  O Senhor edifica Jerusalém; congrega os dispersos de Israel;
3  Sara os quebrantados de coração, e liga-lhes as feridas;
4  Conta o número das estrelas, chamando-as a todas pelos seus nomes.
5  Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o Seu entendimento é infinito.
6  O Senhor eleva os humildes, e abate os ímpios até à terra.
7  Cantai ao Senhor em ação de graças; cantai louvores ao nosso Deus sobre a harpa.
8  Ele é que cobre o céu de nuvens, que prepara a chuva para a terra, e que faz produzir erva sobre os montes;
9  Que dá aos animais o seu sustento, e aos filhos dos corvos, quando clamam.
10  Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz na agilidade do varão.
11  O Senhor agrada-se dos que O temem e dos que esperam na Sua misericórdia.

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